
ANJO DE MÁRMORE ![]()
Ainda vejo ao longe, aquele anjo,
que permanece ali a olhar o vazio
Seria ele apenas só mais um arcanjo
debruçado em algum lugar sombrio?
Sob a escuridão do manto celeste,
em tua morada, o antigo cemitério.
Debaixo dos galhos de um cipreste
velando a morte, com o rosto sério
As asas de pedra pendendo ao túmulo,
não há outra sina que ainda te reste
sentença cruel que já dura um século
esperando o dia adormecer no oeste.
Anjo frio, esculpido todo em mármore,
sempre envolto em uma dura mortalha
tendo por companhia, a velha árvore
que como favor uma sombra espalha
Uma lágrima negra escorrendo eterna
no rosto enegrecido em um fio de lodo
o único sentimento que ainda externa
silencioso pranto, não vazio de todo
Essa gélida pedra que sempre te veste
a indigesta matéria, que recusa a terra,
não há uma alma viva que por ali reste,
nesse domingo quente que se encerra.
Quantos vivos que por ali passaram
sentiram pena de um olhar tão vazio
de um anjo frio, mas não repararam
da tristeza de um sentimento tardio.
Com teu alicerce preso ao passado,
o tempo o levou ao esquecimento.
nesse túmulo antigo e abandonado,
anjo e um ente querido no isolamento.
Debruçado permanece na escuridão,
Quando a noite toma conta da cidade
e o silêncio fúnebre da tua solidão,
será tua companhia na eternidade
Autoria: Cláudia Maia
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